17 abril 2018

17 de Abril

17 de Abril foi, durante muitos anos, dia de festa. A dobrar.
Era o aniversário do meu pai e o data que os meus pais escolheram para casar, após uma longa união.
Era dia de casa cheia ou de família chegada. Mas sempre de comemoração.
Cartões, presentes, surpresas ou mesas compridas com muitos copos e talheres, decoradas com todo o cuidado e rodeada por numerosos convivas.
A minha mãe adorava cozinhar, fazer bolos e receber. O meu pai, mais reservado, saía do casulo quando era anfitrião e entoava saudações que terminavam em gargalhada geral.
Guardo muitas memórias doces desses tempos. Recordo o bolo em feitio de garrafa de “champagne” num “frapé”, num tempo em que ainda não se usava a pasta de açúcar na decoração de pastelaria. A minha mãe, que fora aluna da escola hoteleira, descobria sempre um modo de dar forma ao que pretendia.
Agora, não há aniversariante nem casa cheia. Nem bolo ou gargalhadas.
Existem as minhas memórias e uma sensação de nostalgia ao longo do dia.
Abril é um mês marcante. Embora tudo seja marcante nesta fase, ainda recente.
Sorrio, um sorriso triste, enquanto me lembro que eles gostariam que eu fizesse isto mesmo: lembrá-los, e aos momentos melhores que vivemos enquanto estávamos todos.

13 abril 2018


Uma casa a desfigurar-se.
Uma pessoa a desmoronar enquanto protagoniza a mudança inevitável.
Saem papeis, plásticos e lixo primeiro. 
As coisas substituíram a vida nesta casa, há muito. Cheira a naftalina e o ar incomoda. Nem as paredes têm espaço livre.
Nunca gostei de casas tão pesadas de objectos. Agora, pesam-me no coração, à medida que encaro cada um, numa solidão de filha única que desfaz a casa da família, onde cresceu, quando tanto é já absurdamente excedente, resultado dum processo menos salutar de acumulação
Pela frente, vejo uma tarefa interminável, projecto para o qual as forças têm de ser forjadas; não existem. E no calendário próximo há cirurgias à vista.
O luto é um processo conhecido, mas nenhum luto é igual.
Desmontar uma casa também não é uma estreia. Mas esta é a casa.
Cada roupa, cada fotografia, cada móvel tem ADN nosso. Mas o pior são os detalhes. As flores que a neta ofereceu no último Natal com o seu próprio dinheiro. As gravatas do meu pai que a minha mãe guardou todos estes anos. A carteira que saiu com ela para o hospital e voltou sem ela. As roupas de que ainda não consigo abrir mão. Os cartões de Dia da Mãe, as fotografias de quando éramos pai, mãe e filha sorridentes.
Há tristeza em cada gesto, horas infindáveis de gestos pela frente e tantos móveis, tanta coisa cujo futuro me aflige.
Este é um luto que eu não sei como gerir.

29 março 2018

Uma semana


Foi há uma semana. Dia 22, como o do seu nascimento.
Tenho cada instante desse dia gravado na memória, para sempre; de tão intenso, de tão triste.
Um autêntico terramoto, ficar sem pai nem mãe. E sem irmãos com quem partilhar a dor.
Ficam as lembranças. E nestes momentos pomos de parte as más. Não que as pessoas que amamos se tornem santas, mas porque o amor é selectivo e escolhe de cada um o melhor. Tal como em vida nos faz ultrapassar as dissidências, as falhas de comunicação, o que de menos perfeito possa ter havido.
Vivo dias de dor e “flashes”, mas com uma ligeira satisfação por ter feito tudo durante a doença, tal como fiz tudo quanto pude ao longo da vida. A minha mãe conhecia os meus amigos, estava connosco em cada ocasião especial, fossem datas ou simples idas ao zoo, a um concerto, um passeio…
Nos últimos tempos, era já a como se a minha filha mais nova. A quem concedi o meu tempo, o meu toque, as palavras, a companhia no conta-gotas duma quimioterapia que se sabia apenas paliativa, no quarto de hospital onde lhe molhava testa e lábios, tentando levá-la para longe das quatro paredes em conversa; enquanto pudemos conversar…
Resta o alívio por ter (tal como desejava) estado junto dela nos últimos instantes de vida. Não sei se consegui ajudá-la na travessia, mas agarro-me à ideia de que sim. As palavras que lhe disse foram as mais sentidas, antes de repousar a cabeça naquele peito esquelético, tão sofrido, à procura dum colo de mãe que já me fazia falta.

14 março 2018


E do nada, que foi quase tudo, surge um sorriso, uns braços esboçando um abraço apertado, quando os últimos dias foram de quase total inércia.
Atónita, habituada a semanas de cama recebendo as mesmas visitas, olhou a amiga que reservou viagem para vir a Portugal visitá-la assim que a soube doente. Amiga que surgiu por trás de mim e, no seu inglês afectuoso, abraçou-a e passou o tempo recordando convívios, bolos e gargalhadas.
Até eu renasci! Que isto, só quem conhece o caminho solitário da doença prolongada valoriza realmente os que sabem distinguir-se da conduta de habitual distância. Não sei que vírus este, dos humanos: agem como quem receia o contágio. Não acompanham doente ou familiar.
Num mundo onde os abraços quase se extinguem, a conversa escasseia, até os sms evaporam e é raro o amparo emocional prestado aos que sofrem.
É disto que precisamos: de corações que saibam conjugar afecto com disponibilidade, no verbo entregar(-se), presente do indicativo.

11 março 2018

São notícias que nos ensurdecem ao primeiro impacto e entontecem logo a seguir.
A solidão. O refazer o caminho para encarar quem sofre sem saber de quê. Ter de manter a máscara, como se nada se soubesse. Proteger, sorrir, acarinhar.
São fraquezas que nos entram no âmago e roubam saúde ou alegria.
São perguntas sem resposta ou comunicações brutais, sem ética que adapte a verdade ao receptor que terá de digeri-la.
São ambientes de ruído, dores de tudo e diálogos de tentar forjar esperança. E de tanto que fica por dizer.
São semanas em que mingua o tempo, o físico e o ânimo.
Lá fora, a vida segue o rumo feliz para os sem notícias.

10 janeiro 2018

Serviço Nacional de Saúde (ou "Deus nos livre!")

Doente com 80 anos, passado de neoplasia da mama, AVC, depressão, tonturas e bócio.
Cansaço crescente de há 3 anos aos dias de hoje. Desequilíbrios e tonturas resultantes em quedas, com fracturas e hematomas subdurais, internamentos e drenagem.
Médica de família não dialogante, que não pedia exames, dizendo ser tudo da idade. Doente não acedia à mudança de médica de família porque não (apesar de não confiar).
Análises, em Junho, pedidas por outro médico, particular, a quem a doente recorreu. Pico monoclonal na electroforese das proteínas, com laboratório a sugerir repetição das análises e doseamento das proteínas, nomeadamente de Bence-Jones. Após 3 meses e medicação prescrita pelo mesmo médico, levei à médica de família a sugestão de análises deste e a doente repetiu as análises, mantendo-se o pico mononclonal.
Em consulta com Neurologista, em Setembro, este sugeriu mandar a doente rapidamente à especialidade de hematologia, através da médica de família, pois, não tendo o hospital aquela especialidade, não tinha como encaminhar a doente.
A médica de família disse ter pedido com urgência tal consulta, para o HSFX e “eles lá q façam as análises".
Em Novembro, a doente, cuja marcha foi sendo cada vez mais difícil e passando um tempo progressivamente maior de cama, apresenta tosse, prostração, dores, tonturas, náuseas, vómitos escuros, dificuldade em respirar, um cansaço mais acentuado e confusão mental. Recusa, inicialmente, ir à médica, como tem recusado, nos últimos anos, psicóloga, psiquiatra e avaliação neuropsicológica.
Até que, no dia 4 de Dezembro, vai ao CS e tem a surpresa de a médica de família para quem tudo se devia “à idade” ter ido embora. Uma médica nova prescreve ibatrópio, salbutamol e acetilcisteína.
No dia 18, e persistindo a tosse, as náuseas, vómitos e prostração da doente, com dores abdominais e alguma dificuldade respiratória, volta à consulta. A médica prescreve um macrólido e pede raio x ao tórax e eco abdominal, com urgência. Estes, revelam líquido no abdómen e na pleura, quistos renais e alguns aspectos sem importância.
Os vómitos, de substância escura, persistem, a doente perde peso e cor. A confusão mental é frequente.
Na consulta de dia 26, outra médica a viu e, em resultado dos exames, pediu TAC´s abdominal e torácica e ecocardiograma.
Nestes, mantêm-se os achados dos exames anteriores, descritos em textos longos com mais uma série de referências e indício de hipertensão pulmonar.
No dia 30, a doente parece estar por um fio, após mais vómitos violentos. É levada à urgência, mas, quer pela fraqueza geral, quer pela confusão mental, recusa-se a esperar mais quando, após 4 horas de espera, nem um número amarelo foi chamado para observação.
Estranhando a consulta de urgência para hematologia não ser marcada desde Setembro, a filha da doente contacta a Unidade de Gestão de Serviço e Suporte do Ministério da Saúde, que a informa não haver qualquer consulta pedida. Tenta, então, marcar nova consulta no CS, para pedi-la, após mais de 3 meses desperdiçados na falsa ideia de que estaria.
Passa dias a tentar obter consulta, até conseguir, na passada Segunda. Saltando uma série de situações que fariam zangar qualquer um, resumo: uma terceira médica vê a doente ao fim de horas de espera. Criteriosa, atenta, demora-se, anotando tudo quanto há a ter em conta. Sente que um pico monoclonal não investigado, uma ascite e um derrame pleural, o indício de hipertensão pulmonar, os quistos renais, a debilitação crescente do estado de saúde da doente e consequente perda de peso, apesar do aumento do volume abdominal justificam uma ida directa para a urgência de hospital. “Lá, conseguem fazer todos os exames rapidamente, em vez de a mãe andar a fazer exames e perder-se tempo entre pedidos, realização, relatórios e consultas. Penso até que poderão interná-la”.
Passa uma carta ao serviço de urgência, expondo o historial completo, destacando os factos dos últimos meses e solicitando uma pesquisa.
Na urgência hospitalar, com pulseira amarela, a doente é observada por um médico com sotaque e historial negativo que, falando alto e contrariado, diz que “as coisas não são assim” e que a doente devia continuar a ir ao CS e fazer um exame aqui, outro ali, esperar os resultados e ter paciência, mesmo mal conseguindo andar, debilitando-se e sentindo dores e vómitos constantes. A doente apresenta febre, continua com TA alta, pulso acelerado e são pedidas análises e eco abdominal.
Decorridas mais de 5 horas, a filha tenta saber o porquê de não ser chamada. Continuando a doente na sala de espera, a médica que substituíra o gritante de maus modos, manda-a sentar e repete, com bons modos, que “não é assim que as coisas se fazem”. Imprime e vê os resultados da ecografia (o derrame pleural tornou-se bilateral) e das análises (plaquetas, leucócitos e Proteína C reactiva elevados), pede um minuto, sai do gabinete e regressa meia hora depois, dizendo à filha, que ali esperara sozinha, que ficava pedida consulta de Medicina Interna.
Saímos do hospital após mais de sete horas de termos chegado. Esta médica nunca viu a doente.
Desconheço qual o próximo episódio.

02 janeiro 2018

Ano Novo


“A irracionalidade ao poder”, podia ser o titulo das cenas de ano novo na TV.
Todos pulam, gritam, empurram, tentam açambarcar a imagem da câmara televisiva, numa euforia incontida e de etiologia muito subjectiva. 
Alguns bebem em excesso; talvez sem darem conta, talvez porque a intenção seja mesmo perder a noção da realidade por instantes.
Entre aproximadamente os 14 e os 25 anos, a ocasião fazia-me vibrar. Depois, passei a vivê-la como um momento sem grande importância, antecessor da subida do custo de vida. Dá-me ideia que certo tipo de maturidade, decorrente das experiências vividas, nos cinge os marcos a ocasiões muito mais conotadas com nascimentos, mortes, viagens ou doenças e outras datas marcantes destes calibres. “Antes de” e “depois de” passam a ser as nossas referências cronológicas, alheias ao calendário gregoriano.
Talvez passada a marca da juventude toda a nossa perspectiva se altere e nos faça olhar as tais cenas de euforia no réveillon como irracionais. O tempo cada dia mais voraz, o horizonte encurtando sorrateiramente fazem-nos relativizar a importância dos episódios, seleccionar companhias, programas, projectos. Tanto sonho adormecido, tanto desejo adiado, tantos dias que ditaram responsabilidades e urgências diluentes do individual ao serviço do familiar.
Queremos saborear o que temos. Valorizamos o sossego e a saúde.
Tememos perder os que amamos e as capacidades físicas e cognitivas. Recebemos notícias inesperadas, por vezes chocantes. Estabelecemos novos objectivos, tentando fintar os reveses sucessivos. 
Continuamos a aprender. Não abdicamos do sonho.

30 novembro 2017

"O Mundo ao Contrário"



(foto retirada do site da RR)


Lembro-me dos Xutos e Pontapés desde sempre.
Cantei as suas músicas desde que a adolescência aguçou o meu gosto pela música. As letras faziam eco na caixa de ressonância individual que funcionava colectivamente. Eram tempos de grupo, de saídas com colegas, de amizades que se prolongaram pela vida.
Em cada saída, em todas as festas das colectividades, nos concertos locais, nos encontros da juventude do partido, lá estávamos nós a cantarolar, vibrando alto e bom som o que nos ia por dentro. 
"A carga pronta e metida nos contentores" arrastava malta do liceu ansiosa por aventuras que comprometiam saúde e futuro àqueles que cedo optaram por viver em "alta rotação".
"Aqui ao luar, ao pé de ti, ao pé do mar", vivemos a adolescência mais prometedora, sabendo que podíamos "estoirar para sempre" se fôssemos por aqueles caminhos, mas seria sempre “à minha maneira”; esboçávamos então, aos 14/15 anos, um percurso que acreditávamos híper poderoso, ou não fôssemos inflexíveis nos nossos sonhos. Que eram grandes; tão grandes como o futuro, que ainda era uma linha infinita.
Apaixonámo-nos. "Só loucos como nós viviam o amor com tanta paixão". Crescemos, ou fizeram-nos crescer. Ficaram as saudades das "alegres casinhas".
E foi sempre assim. "Tomámos coragem para os nossos destinos". Crescemos, tornámo-nos mães e pais com “putos que crescem sem se ver, basta pô-los em frente à televisão”.
Em 2014 fui, com o meu amigo Alex, ao concerto dos 25 anos dos Xutos. Emocionante.
E agora que repousas, Zé Pedro, Portugal pergunta-te:
"Porque sais?,
Ainda é cedo,
E tu não sabes mentir."
E respondes:
"Nem eu sei,
Só sei que fica tarde
E eu tenho de ir."
E o povo pede: "não vás, ainda"". E acrescenta: 
Conta-me historias daquilo que eu não vi..."

26 novembro 2017





Existe o belo natural e o belo criado. A Natureza inspira o Homem.
A beleza faz a vida valer a pena. Gestos belos, obras de arte, águas livres, revoltas, em cursos ou lagos. A fauna, a flora e a gente que guarda beleza no interior.
Serão os mais sensíveis ao belo os mais completos? Serão mais felizes os que conseguem distinguir cada traço de beleza quase oculta?
Há dias perfeitos e dias de esquecer. Datas de comemorar e fases de digerir a fealdade do humano, dos desatinos da vida.
Sem beleza nas paredes, na rua, nas caras, todos serão dias de nada. Belo é conseguir o que nos eleva. Manter o equilíbrio, sorrir diante do que quer que seja. Belo é ser capaz. É ser livre e solidário. Belo é ajudar a ser. Não julgar, não afastar. Partilhar o melhor.

26 outubro 2017

Parabéns, Vasco!


Foi o meu sonho de sempre. E personalizou-se há 15 anos.
Neste dia, em 2002, nascia o Vasco, o meu amor primeiro.
Quando nascem, temos todos os sonhos do mundo centrados (concentrados) neles. Como se estivéssemos programados para neles projectarmos o nosso infinito quando a nossa vida conhecer um fim. E, se calhar, estamos.
Quinze anos depois, o meu filho cresceu imenso, evoluiu, mudou tanto…
Era uma tortura do sono, este bebé. Até que fomos de férias ao Porto Santo e os seus ritmos circadianos amadureceram.
Já foi muito sossegado. Até que veio a mana e o ambiente nunca mais foi o mesmo. Se não os podes vencer…
Já teve medo de água fria. Até que a tia-avó o foi levando, gradualmente, a descer cada vez mais as brincadeiras na areia.
Já teve medo até de manter a cabeça debaixo de água. Até a mãe o fazer ver que entre amigos tudo é mais divertido. Tão divertido que, agora, o surf é o seu desporto, passatempo e interesse maior.
Já gostou de livros. Até que os gadgets tomaram na sua vida o lugar que actualmente têm em quase todas as vidas. Com especial incidência na dos adolescentes.
Muita coisa mudou. A família foi sofrendo perdas e registando ganhos. Mudámos de casa duas vezes. O Vasco trocou de escolas. Foi evoluindo. Rapidamente se autonomizou em certos aspectos da vida.
Hoje, se algo não mudou é o amor. Em forma crescente. A ternura, não dissimulada. Espontânea.
É um rapagão que tomam por mais velho, porque cresceu em excesso de velocidade. Reservado, mas comunicativo, nos tempos que escolhe. Com um humor certeiro em ocasiões específicas.
O restante, são coisas que ficam entre nós. Que o aniversariante não gosta da exposição e eu não sou de dizer nas redes sociais os sentimentos que lhe demonstro e digo diariamente.

Hoje, o Vasco está de parabéns e eu sinto-me de parabéns. Isto resume tudo.

21 setembro 2017

Quando alguém que amamos tem Alzheimer, a esperança é a primeira a morrer



(o texto de hoje é quase uma repetição do que já publiquei, 
porque ainda dói demais voltar a este tema)

No princípio, era a negação. A minha mãe estranhava os comportamentos, criticava-o por não ir ao médico, já que ouvia tão mal... Quando a resposta tornou inequívoco que não se tratava de falta de audição, alertei-a: ele não estava protelar. Porque respondia "mas nós temos máquina?" quando lhe dizia que a louça que procurava ainda devia estar por retirar da máquina. Ou quando a "vê ali pela janela da marquise" ele ripostava "onde é a marquise?". Ouvia. Mas já não sabia processar a informação.
Não se pense, como há tendência, que é uma questão de falta de memória progressiva. É muito, muito mais que isso.
Por acaso, eu sabia o que era. E dava-se a coincidência de ter acabado de me estrear na indústria farmacêutica.
Quem não o conhecesse, não notaria nada. Só nós, conscientes de que ele já não completava as palavras cruzadas (que habitualmente só punha de lado após resolver mesmo as que requeriam o preenchimento das quadrículas pretas) nem lia o jornal, nos apercebemos.
Nesta primeira fase, o empobrecimento do léxico era também um sinal. Novamente, apenas para nós. Para os outros, que passavam menos tempo com ele, não era visível. Os cachimbos permaneciam intocados. Aos cigarros, ainda proporcionava passeios, já não sabendo o uso que havia de dar-lhes.
Tendo dedicado a sua vida aos transportes marítimos, era conhecedor dos nomes de todos os portos do mundo. Enquanto eu trabalhava e concluía a licenciatura em Relações Internacionais, cheguei a dedicar-me ao estudo das matérias teóricas, contando com o resumo diário que ele me fazia acerca do que andamento do planeta.
Um ano depois, tinha ele apenas 59, desaba sobre nós o rótulo que nos recusávamos a pronunciar: Alzheimer.
Não lho comunicámos, pois de nada valia. Julgo que, nos momentos de lucidez que então ainda tinha, terá desconfiado. Chegou a ter conversas acerca de como a morte, se viesse entretanto, o não perturbaria, porque - dizia - já vivera bastante.
Eu levara-o ao médico especialista. O meu pai, contrariado e receoso (lembrava-se da situação de um vizinho e temia que lhe fizessem "um buraco na cabeça"), apenas anuiu porque o convenci que ia para não me deixar mal vista, já que se tratava de uma consulta difícil de obter. 
A partir daí, foi a teatralização das emoções. Dar um tom de normalidade quando tudo ruía.
Era aterrorizador imaginar o futuro. Alzheimer é, desde logo, a depressão de uma família. A dedicação total, que nos envelhece precocemente. É a catástrofe económica. O luto antes da morte. Para o doente, é a cessação da vida enquanto ainda existe. 
O doente era O MEU PAI!
Tudo arrasado: os planos de viajar, ler a restante biblioteca. O livro cujo título idealizara muitos anos antes.
A partir daí, lamentei cada minuto fora da sua companhia.
E temi o que estaria para vir: o dia em que ele perderia a noção do certo e do errado, do seguro e do perigoso. O dia em que deixaria de controlar os esfíncteres. O dia em que não saberia mais orientar-se na rua, ou mesmo em casa. O dia em que não reconheceria mais a mulher. Ou a filha. O momento em que o equilíbrio lhe faltaria, o outro em que as pernas deixariam de lhe suportar o peso. O tempo que passaria de internamento em internamento, alternando entre infecções respiratórias e infecções urinárias. Ou simplesmente para ser hidratado e nutrido. Porque a doença compromete, também, a capacidade de deglutir. Como todas as restantes.
E todos esses dias, todos esses momentos, vieram.
E todas essas etapas nos faziam sentir mais roubadas, mais mergulhadas numa dor inqualificável...
Vencemos muitas fases, atrasando-as. Levando-o a passear, tentando fazê-lo rir, alimentando-o de acordo com as necessidades e o seu gosto, hidratando-lhe a pele e fazendo-o exercitar músculos e articulações enquanto estava acamado. Chegámos a tirá-lo da situação de acamado, fazendo com que voltasse a andar. E por muito mais tempo!
A minha mãe, lutadora, dava frequentemente o seu testemunho na TV, instada pela Associação Alzheimer Portugal, em dias como este, ou em peditórios.
As hospitalizações eram um retrocesso: não há pessoal hospitalar para se ocupar destes doentes. De modo que limitam-nos ao uso de fralda. Isto doía-nos profundamente, pois ainda conseguíamos levá-lo à casa de banho e sabíamos o quão rapidamente desaprenderia. Regressava com escaras. Pouco comeria se não fizéssemos por isso, estando presentes à hora das refeições.
O dia-a-dia - em casa durante a maioria dos anos de evolução da saga - era de desorientação, visões, agressividade, sapatos guardados em gavetas, dedos enfiados em tomadas ou mergulhados em tachos ao lume. Acções logo contrariadas por quem se apercebia.
Porque ninguém consegue olhar por uma pessoa demente 24 horas por dia, teve de se recorrer a ajuda exterior. A peso de ouro, evidentemente.
A família e os amigos escassearam, desculpando-se que queriam lembrar-se dele como fora.
Nós íamos vê-lo diariamente, por vezes combinando uma alternância entre a minha ida e a da minha mãe.
De ambas, recebeu todo o suporte e amor. Médicos elogiaram a forma como conseguimos, em diversas fases, ludibriar a doença.
Vi-o definhar, perder as capacidades de reconhecer e de comunicar. Pareceu entender quando, pela segunda vez, lhe disse estar grávida do meu filho, muitos dias após a primeira tentativa de lho comunicar,  num momento em que ele não entendeu. A nossa comunicação rapidamente dispensou as palavras, passando a ser o toque, o carinho, o tom de voz. Como se de um bebé se tratasse. Contudo, continuava a monologar com ele, pensando: nunca se sabe... 
Ainda dedicou uns carinhos ao neto.
Falhou a contemporaneidade com a neta, nascida poucas semanas após a sua morte. De qualquer forma, não teriam dado pela existência um do outro, cada um na sua ignorância.







16 agosto 2017


Há 4 anos, partiu a minha tia mais próxima
Fui reler o que escrevi em 2013. O mesmo sentir, quatro anos depois. Por isso, publico esse meu texto, com as devidas adaptações no que respeita ao tempo:
"Afaguei-te o rosto pela última vez. A vida despedira-se de ti minutos antes. Eu soube que ficarias sempre presente em nós.
Quando o senhor da funerária perguntou se queríamos um epitáfio a acompanhar as flores no estilo habitual, de eterna saudade, respondi de imediato que não. Que queríamos “estarás sempre presente”.
A despedida foi como eu gostaria que fosse. Com toda a família, os antigos vizinhos e os novos. Amigos e conhecidos elogiando-te.
Ontem, sozinha à noite, permiti-me a dor, ao percorrer fotografias de viagens. Impressionante, como algumas retratam grupos em que a maioria dos fotografados já viajou para o plano infinito…
A nossa ligação foi cúmplice e marcante.
Recordo-me de me incitares a enfrentar os meus medos quando era criança.
De acordarmos cedo para irmos para a quinta da Azambuja.
De viajar contigo até Ceuta e Tetouan aos 13 anos. A Benidorm no ano seguinte.
De me deixares treinar a condução a partir dos 14 anos, com o teu Micra.
Lembro-me de, poucos anos depois, me zangar quando deixaste a dentadura no meu copo dos dentes numa das viagens à ex-URSS. Das caminhadas e das subidas às montanhas na Sibéria.
De ir esperar-te ao aeroporto em 2002, eu muito grávida do Vasco. Tu viajando de maca, com o colo do fémur fracturado. Uma viagem em que passaste a maior parte do tempo num hospital. Não saíste com os restantes passageiros. De repente, apercebi-me de uma ambulância que arrancava da zona das chegadas. Desatei a correr na sua direcção, com aquela barriga grande à frente. Gritei. Consegui dar nas vistas. A ambulância parou. Só te levou para o hospital depois de eu te acarinhar.
Nos dias de Natal, eras tu quem tratava do peru. Eu fazia o bacalhau, a minha mãe o pudim. 
Não tiveste filhos. Foste presença constante nos primeiros anos de vida dos meus, como na minha infância.
Agora, suponho que estejas mais próxima de outros espíritos que acompanham a minha história. Sinto-os como se os visse, num relance por cima do ombro.
Estarás sempre presente."

02 julho 2017

Lágrimas de Sal, de Pietro Bartolo


Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras.
Não precisei de imagens para murchar no interior, em dois momentos que me confrontaram com testemunhos da actualidade desumana.
O primeiro, via rádio, numa reportagem emitida pela TSF no Sábado, dia 24, sobre a barbárie da guerra na Síria. Fez-me chorar, a consciência de que, afinal, por muitas reportagens, livros e filmes que tenha visto e lido sobre guerras (mundiais e civis), ainda muito horror consegue soar-me a novidade visceralmente repugnante.
O segundo, quando peguei no livro “Mar de Lágrimas”, do médico italiano Pietro Bartolo, filho de um pescador. Bartolo teve de deixar Lampedusa e a família ainda bastante novo para prosseguir os estudos. Acabou por regressar, já na qualidade de médico e condicionar a própria família porque decidiu que havia gente, perdida de desespero, acabada de vencer a roleta russa duma travessia marítima, a precisar de cuidados de saúde imediatos. De um ouvinte. De um psicólogo.
Da obra, nada vos contarei; incito-vos a lê-la. Apenas digo que o relato do dia-a-dia de alguém que dedica a sua vida a salvar quem sofreu o indescritível constitui uma prova de que ainda existem heróis. Não daqueles que uma população pouco esclarecida venera, nem dos que uma juventude que tem como epicentro o próprio umbigo elege. Não. Heróis no que de mais humano se pode ser: na acção social, na protecção dos que estão vulneráveis, na coragem da exigência de condições. No sacrifício, na tristeza que esmurra quem sabe sentir compaixão.
Pietro Bartolo entrelaça a sua história de vida e as histórias de sobrevivência de quem não pôde suportar as condições em que vivia, arriscando tudo numa travessia marítima contendo tanto de perigo como de incerteza. Nessa trama, subtilmente urdida para amenizar o impacto do horror que nos apresenta, conta-nos das decisões, da crueldade inqualificável, do insuportável sofrimento físico e psicológico, do exemplo de coragem e determinação de mulheres, homens e crianças a quem a sorte saiu errada.
Este livro é o mal-estar necessário às nossas consciências. Consegue ler-se de um fôlego, porque nos enreda e nos questiona. 
Não recomendável aos que atravessam um período de vulnerabilidade emocional.

01 junho 2017

À Mafalda, pelo seu 11º aniversário


Extrovertida e inquieta
Ela celebra cada dia
E hoje, primeiro de Junho,
Faz onze anos de alegria

Melómana e bailarina
Coreógrafa da ternura
Vive às mil rotações
Por minuto de aventura

Salta, brinca, cria, dança
Nada deixa por inventar
A minha filha, sempre criança,
Acende sorrisos com o olhar

Com gargalhadas contagiantes
Cativa todo o desconhecido
Os olhos azuis, mais que brilhantes,
Pintam o nosso mundo de colorido

À minha Mafalda querida
Ode ao amor, menina-furacão,
Desejo que tenha, sempre, na vida
Amigos, ternura e determinação.

25 abril 2017

O "Escrito a Quente" completa hoje dez anos

Este foi o primeiro texto que nele publiquei:

"Abril é o mês da liberdade. O mês que sempre associarei ao meu pai. O mundo ganhou, num Abril distante, um dos seres humanos mais críticos que por cá passaram e perdeu, também neste mês, sessenta e nove anos depois, um auto-didacta coerente, determinado e carismático, cuja maior preocupação foi transmitir-me valores importantes.
Este blogue nasceu agora, no dia 25 de Abril, porque a data me inspira e me liga àquele que pretendo, de certa forma, homenagear hoje: o meu pai.
Ouço a "Grândola vila morena" e emociono-me. Neste momento, um turbilhão de recordações traz-mo de volta e ele sugere-me como hei-de dar ao meu filho uma ideia do que foi o 25 de Abril.
Desde a minha infância que a palvra "liberdade" tem, para mim, um sentido tão emotivo quanto político, já que o meu pai me incutiu a liberdade não só como forma de viver, mas também como um direito que se conquista como indivíduo e se defende enquanto povo que por ela teve de lutar.
Para os meus filhos, terá o valor que eles lhe conferirem ao longo das suas vidas. Mas cedo começarei a explicar-lhes, de forma simples e clara, o que é ser livre e que o dia de hoje celebra a liberdade. Sem entrar na esfera política, que só compreenderão quando a idade for um pouco mais madura. Mas associando-lhe um cravo vermelho."


17 abril 2017

80 anos, já não comemoramos...

O meu pai foi um Homem com H maiúsculo. Criado por uma mãe sozinha, que trabalhava também fora de casa e cantarolava os seus fados favoritos. Essa avó que não conheci criou um filho que soube ser pai sem ter conhecido o seu próprio pai. Fez dele um homem que soube ser um exemplo de sageza.
Íntegro como poucos ousam ser (perdeu a oportunidade duma vida por não esconder a sua ideologia política), ensinou-me os melhores valores, que espero ir conseguindo honrar.
Não teve quem lhe amaciasse o caminho. Cedo largou a escola e começou a trabalhar, consertando guarda-chuvas.
Colmatou a falta de estudos com um forte temperamento auto-didacta. Leu muito, aprendeu sobre diversas áreas e ainda não era adulto quando começou a escrever críticas para os jornais. Nunca parou de ter um papel activo na sociedade e foi isso que me transmitiu.
Ensinou-me que, se é aos doze anos que a injustiça se me apresenta, é aos doze que eu devo encará-la e tratar de me bater por justiça. Sozinha, que tem muito mais impacto que com um adulto por trás. E foi com os meus meios que passei a enfrentar tudo.
Incentivou-me a ser a melhor (não posso dizer que o tenha conseguido, mas ficou a lição). A não desistir. A batalhar pelas minhas convicções e a saber questionar tudo quanto me quisessem fazer crer. A não esperar palmadinhas nas costas e a não demostrar fraquezas. Recusava-se a elogiar-me directamente, embora eu saiba que me elogiava quando falava com outros.
Sonhava viver numa biblioteca. O máximo que conseguiu foi reunir tantos livros em casa que a minha mãe receava que o escritório caísse sobre o vizinho. Resolvia as palavras cruzadas do jornal, sempre. Mesmo as que traziam as quadrículas pretas por preencher.
Deixou-me a tolerância, o brio e temeridade. Deixou-me, sobretudo, um orgulho indescritível por ter sido meu pai.
Hoje, faria 80 anos e eu não tenho espaço suficiente cá dentro para acomodar as saudades. Este dia seria bem melhor se, em vez dum vazio que as boas lembranças não chegam a colmatar, ele cá estivesse e pudéssemos comemora-lo em família.

Assim, tenho de me limitar a homenageá-lo como sei. Com palavras. Afinal, boa parte do legado que me deixou.

07 janeiro 2017


Há uma estirpe de homens em vias de raridade. São os coerentes e lutadores.
Mário soares era-o. Um homem que lutou pelos ideais em que acreditou, sabendo o quanto custaria defendê-los. Num mundo em que vão escasseando os que se dão ao trabalho de pensar, é sempre uma perda ver partir gente que vive por um código inalienável de valores, honrando-os e propagando-os.
Num universo onde cada vez mais cada um quer para si, há quem queira para todos. Que fazem por todos, para que todos usufruam dos direitos que alguns conquistaram.
Num tempo em que os humanos parecem uma espécie direcionada para a padronização, onde parece cair em desuso pensar-se por si e questionar-se a realidade, cada pessoa culta e tão plena de acção como de ideias que morre é uma perda geral.
Polémico? Sim. Mas gente polémica com conteúdo é que traz valor ao mundo.
Morreu um homem que ficará para a História. Um homem a quem devemos gratidão.
Que descanse em paz e em liberdade.

31 dezembro 2016

Fé em 2017

2016 foi um ano extraordinário.
Um ano de boas surpresas e de realizações inesperadas. Dele fica a confirmação, na prática, de que as vidas mudam. Para melhor, também.
Entre Janeiro e Dezembro, quase tudo aconteceu. O que não sucedeu, pode ainda vir a concretizar-se. Como diz a minha mãe, “temos de ter sempre alguma coisa para desejar”, e eu concordo.
2016 foi o ano em que a fé deu fruto. Não sabia o quanto tinha fé, até sentir que, quase como se fosse um filme, a minha vida se alterou. Primeiro foi o amor. Que tudo torna possível, como sabem. Depois, a viagem sonhada, que concretizei. Não sozinha, como cheguei a pensar, mas na companhia com que espero viver a ternura e a sensualidade dos quarenta. E das décadas que nos forem concedidas.
A família fica com um 2016 de boa memória, também. Não houve acidentes. O meu filho gozou a sua primeira aventura de férias fora, da família e do país. A minha filha deu a volta ao marcador, obtendo mais pontos que o irmão no aproveitamento escolar. Até a electricidade parece ter diminuído ligeiramente a voltagem, nestes filhos com energia que até queima… neurónios. A minha mãe recuperou a visão quase totalmente perdida.
Foi um ano de aprendizagem, adaptação e confiança. Um ano de mudança tamanha que até de casa mudámos. Agora, somos cinco: quatro humanos e uma cadela, imagine-se! Uma casa cheia. De amor e de livros. Pai, se nos vês, estás certamente contente. O teu sonho está aqui: vivemos numa (quase) biblioteca. As tuas palavras também estão aqui. No meu coração.

O futuro, desconheço. Ninguém sabe. Vou continuar a nutrir esta fé muito minha, algo recôndita e inexplicável. Acredito que o resto vem, aquela “qualquer coisa para desejar”. O que gostarei que aconteça, ao meu núcleo familiar e aos amigos e pessoas de bom coração. É com olhos de ver bonito que eu antevejo o nosso próximo ano. Que esta fé esteja convosco, é o que me apetece dizer, mesmo soando piroso.

15 dezembro 2016




Temos, algumas vezes, sonhos que não se cumprem.
Também deixamos de ter uns sonhos, enquanto ainda damos corda a outros.
Vamos ajustando os planos de acordo com as linhas entontecidas que a vida nos desenhou.
Vivemos o que nos toca. Tentando aperfeiçoar essa arte que é a vida. Criamos expectativas conforme vamos vislumbrando um pouco mais adiante o que ainda não é visível aos olhares alheios. E vivemos, por vezes, tão intensamente, que tudo é sonho e nem nos tínhamos apercebido. 
Serão os sonhos que vêm ao nosso encontro?

26 outubro 2016

Ao Vasco, no seu 14º aniversário


Tudo começou com um sonho, daqueles que se tem acordada. O meu sonho vem talvez desde os seis anos de idade. Ser mãe.
O Vasco foi a sua concretização e enriqueceu a minha vida desde o dia em que me soube grávida.
Há 14 anos, vi pela primeira vez o menino que me perturbou as noites, inchou pés e tornozelos durante a gestação e deixou sequelas passageiras dum parto difícil. Era lindo! 
Com o tempo, continuou lindo, tornou-se carinhoso, autónomo (até certo ponto…), alto, batuqueiro, distraído, atencioso e todas aquelas características que o tornam ele mesmo e me fazem amá-lo com esta ternura grandiosa que é a nossa.
Já me olha bem de cima, sabe o que pretende fazer no dia-a-dia e planeia o seu futuro. Cresceu e o rapaz que é permite-me acreditar que será um homem bom, equilibrado e que não levará a vida demasiado a sério. Que usará o seu próprio juízo, de forma justa e crítica. Que dará o melhor uso às suas capacidades. Que saberá dosear admiração e reclamação em doses equilibradas, assim que a adolescência o largar. E que manterá, da infância, a meiguice e o sonho. A poesia e a mímica inusitada e alegre. Esta vida prometedora que tanto me orgulha. 
Parabéns, meu querido filho!

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